Análise The Fame Monster - Lady Gaga

Aqui vai uma resenha completa do novo CD da Lady Gaga, o The Fame Monster. Trata-se de um disco bem temático, mas nem em todas as faixas há essa pegada sombria, que o título do cd propõe. Lembrando que esse álbum seria um acréscimo no relançamento do seu primeiro CD, contudo, a gravado Interscope e a Lady Gaga decidiram lançá-lo em independência, por acreditar em seu potencial de vendas e lucros.

Ganham os empresários e ganham os fãs e consumidores que pagarão menos, uma vez que o disco será um EP (mini-álbum). Então, não tem desculpas para não comprar. Vamos à análise completa.

1. Bad Romance

Esse é o primeiro single e já tem um clipe produzido (há uma análise dele completa aqui). A música fala de uma pessoa que deseja os males do amor, como vingança e ódio. O mal romance é visto na canção como uma coisa boa, uma coisa desejante. Na versão demo da música, muita gente criticou dizendo que era um Poker Face melhorada. Acontece que, na versão finalizada, Lady Gaga não apenas escapa deste jargão como traz à faixa uma qualidade pouco vista em músicas de estúdio: a sensação de ser ao vivo. Ouvindo pela primeira vez, ainda no desfile do McQueen, a impressão é de que a Gaga estava lá, cantando ao vivo. E isso é extremamente inovador. Outro ponto que foi adicionado, em comparação à demo, é a parte em que a Gaga canta em francês. Esse pedaço tornou-se febre entre os fãs e nos novos fãs. Com certeza, essa foi a faixa – em conjunto com o clipe – que mais trouxeram adeptos da moda Lady Gaga.

2. Alejandro

Esta faixa deixa claro que este cd é composto por introduções fortes e marcantes. Assim como a primeira faixa, há um começo apoteótico. Aqui há um violino triste, pesado. Uma nota longa que vem seguida da Gaga suplicando para que Alejandro deixe-a ir. A música tem um refrão grudento e gostoso de cantar. E para os ouvidos mais atentos, a música tem um duplo sentido: Gaga canta “Don’t call my name, don’t call my name, Alejandro. I’m not your baby, I’m not you baby, Fernando”; que, se prestart atenção na voz arrastada da Gaga, dá para entender: “I want your baby, I want your baby, Fernando”. Esta faixa também deve receber um destaque na divulgação do álbum, uma vez que a Gaga homenageia a América Latina, com uns efeitos calientes na melodia e os nomes portenhos. Ela disse em entrevista, inclusive, que Alejandro era, na verdade, Alessandro, um namorado brasileiro que ela teve.

3. Monster

Essa é a que eu mais gosto de todas. Mais uma introdução incrível, com Gagaloo em acapella dizendo: “Don’t call me Gaga”. A letra é ousada: a Lady fala de um cara que é um monstro, que comeu seu cérebro e comeu seu coração. Em uma parte em especial, ela conta que perguntou para a sua namorada se viu o cara monstro por aí. As bissexuais devem ficar em transe com essa música. O refrão é uma delicia de cantar e fica na cabeça o dia todo. “That boy is a monster... Mo-Mo-Mo-Monster”. Eu quero um single dessa música!

4. Speechless

A Speechless esta para o The Fame Monster assim como a Brown Eyes está para o The Fame. Embora uma não tenha nada parecido uma com a outra. Explico: essa faixa é muito mais profundo, Gaga se esmera mais em seus vocais e temos aqui uma pegada de rock anos 60, quando Beatles estouravam com seus hits. Disseram que a faixa era diferente de tudo que a Gaga já fez até hoje, mas acho um exagero. Só pegaram os vídeos vintages da Lady, quando ainda era Stefani, que verão que esse sempre foi um lance dela. Mas enfim, depois que ela ficou famosa, ela realmente abandonou esse estilo, que é brilhantemente retomado nessa canção. A letra fala sobre amizade e de amor. Na verdade é uma homenagem ao seu pai. Ela afirma que o homem a deixou sem palavras, e que por ele ela deixaria de falar, deixaria de amar, de compor e de cantar. É muito tocante e eleva a Gagaloo a um outro nível, retirando-a do status de Rainha do Dance. Ela mostra aqui que ela é muito, mas muito mais que só isso.

5. Dance in the Dark

Se Speechless é uma homenagem ao seu pai, Dance in the Dark é uma homenagem ao poder musical dos anos 80 e começo dos anos 90. Há tantos elementos de referência que fica difícil enumerá-los. Os mais óbvios são o sample de Careless Whisper, de George Michael, e o rap que lembra Vogue, da Madonna. A introdução também é especial – mais que isso – com vozes de funda da Gaga em desespero, gritando, gemendo, suspirando, alcançando o clímax quando iniciam as batidas maçantes oitentistas. A letra fala de uma garota que prefere dançar no escuro porque sempre que o amado a olha, ela se sente pior. É uma história onde o amor faz mal, com um pouco de submissão e dependência. “But her boyfriend says she’s a tramp, She’s a tramp, She’s a vamp. But she still does her dance”. Nesse jogo de colocar as mulheres para baixo, Gaga faz um rap em homenagem às mulheres fortes que lutaram contra isso, como a princesa Diana e a atriz Marilyn Monroe.

6. Telephone

A parceria com a Beyonce trouxe frescor para o pop dark de Lady Gaga. A letra é uma história, na qual a pessoa esta na balada enquanto seu amor fica ligando, enchendo o saco. Ela diz na letra que só quer dançar, esta “tipo ocupada”, que não pode atender e pede para que o cara pare de ligar. Um hit para as divas de plantão. Depois que Beyonce entra com seus refrões em forma de rap e dão maior vida à faixa, as duas cantoras se revezam nas estrofes. A música é gostosa de ouvir, de dançar, gruda, tem Beyonce, tem Gaga, tem glamour, tem carão, tem tudo para ser hit. Mas foge um pouco da proposta de Monster e me soa mais como um caça-níquel, afinal, temos as duas maiores personalidades de 2009.

7. So Happy I could Die

Uma música cheia de duplos sentidos, que falam de amor próprio e, talvez, masturbação. "I love that lavender blonde. The way she moves, The way she walks. I touch myself can’t get enough. And in the silence of the night. Through all the tears, And all the lies. I touch myself and it’s alright”. Ela sente felicidade por amar si mesmo, se toca, e fica feliz que poderia morrer. “Seja seu melhor amigo”, ela pede na música. O que acham? A música também remonta aos anos 80, começo dos 90. O refrão tem um decréscimo na melodia e ganha força quando esta acabando a estrofe. Eu gosto desse jogo de som, destaca os vocais da Gaga e deixa a gente dançar depois de cantar o refrão. Não é um pop grudento, mas é uma delícia de se ouvir. É calma, mas ao mesmo tempo tem um tipo de agressividade, pois fala de morte. Os backing vocals suavizam a música, o que a torna ainda mais gostosa para cantar.

8. Teeth

A última e mais controversa faixa do álbum The Fame Monster. Teeth lembra muito músicas de cabaré, e os vocais da Gagaloo estão fortes, grossos, e me remetem à Xtina em Back to Basics. Temos aqui uma Gaga sexy, como em nenhuma outra música. Ela chega a ser provocativa quando faz seu próprio backing vocal. “Don’t want no money. Just want your sex (want your sex)”. As batidas eletrônicas são iguais e acompanham a música inteira. Sem dúvida, essa aqui é a faixa mais diferente de tudo que ela fez. Aqui seus vocais alcançam notas altas, mas ainda deixam a desejar. Talvez ao vivo melhore. ”Take a bite of my bad girl meat (bad girl meat). Take a bit of me boy. Show me your teeth”. Para quem sentia falta das putisses das loiras do pop, vai se lambuzar com essa música.

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A vampira

Era domingo e ela foi encontrá-lo. Teria que fingir, teriar que enganar, que dissimular.
E, pasmem, ela era boa nisso. Fingiu estar tudo bem e, mais que isso, mentiu.

Havia um outro elemento que formava um triangulo. Era ela, seu namorado e um novo personagem.
Uma abertura que ela deu para alguém entrar. A forma que isso aconteceu é melhor nem saber

O domingo foi ótimo. Uma farsa de alegria contagiava o ambiente. Fria, soberba e calculista, a vampira sorria.
Dizia que, no dia seguinte, iria encontrar-se com amigas quando, na verdade, ia encontrar o novo ser.

E por que? Porque a vampira é suja e monstruosa. Gostou de receber bajulação de terceiros. Não se satisfazia com o que tinha
Ela estava quebrando a única coisa que estava intacta. Achou que manteria a farsa em tempo suficiente para isso ser esquecido

Contudo, não sabia que podemos enganar a todo mundo, menos a nós mesmos. E, principalmente, nossa consciência.
Mais podre do que a atitude da vampira era a sua consciência que pesava e fedia.

Seu coração que já não batia não aguentou e ela contou tudo ao parceiro humano. Contou da farsa, da mentira, tudo!
O ser humano não acreditava no que ouvira. Será que aquela era mesmo a vampira que ele conhecia há tanto tempo?

Como confiar agora numa monstra que esteve tão perto de mordê-lo e acabar com tudo?
Como acreditar em uma palavra sequer que vinha dela, uma vez que descobrira que ela sabia fingir e mentir tão bem?

A desconfiança e a insegurança entraram naquela casa, pela porta da frente.
Exatamente a porta que a vampira deixou aberta enquanto se preocupava em mentir e fingir

Acaba aqui então essa crônica que foi escrita em versos duplos. Em dupla. Versos casados, remetendo a um casal.
Um casal como a vampira e o ser humano. Raças tão diferentes que tentaram manter uma relação.

A relação entre uma frase e outra, aqui neste conto, é tão tênue quanto o amor entre esses dois seres
Um amor que esta sempre à prova e que agora esta no limite da tolerância. Um limite intransponível e lamentável


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Paredes de erros

Haviam umas colagens na parede. Era os meus erros, abertos, expostos, à mostra.
Também lá notava-se rachaduras, ranhuras, fendas e buracos. Eram mais erros à deriva.

Eu erro tanto quanto eu tento acertar. Eu me enrolo, eu sou um grande inimigo de mim mesmo.
Eu sofro e faço sofrer. Olho para a parede, mas não encontro reboco. Passo algumas tintas, embora não mude as cores.

Eu prefiro a parede assim, errada, errante. Como que a esperar de um artista visionário que possa ver nela arte.
Há arte nos meus erros. Há paixão, há amor, há fogo, há cumplicidade. Na parede, marcas indeléveis, nas história, uma autenticidade incorrigível

Com medo de errar, eu errei. Tentando acertar, eu errei. Correndo para me corrigir, eu errei. Acertando, eu errei.
Adicionei meus prêmios na parede. Imóveis, inerteis, inodoros. Apenas erros, para serem contemplados, vislumbrados.

Para um artista, apreciação vindoura.
Para um amante, obstáculo destruível.

Pegue então seu machado e derrube esta parede de erros, e não me deixe construir de novo

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